A falta de supervisão dificulta a inovação

Cliente: 
Postado em 15/03/2011

*Antonio Carlos Gordilho

Supervisores – aquele nível da organização que chefia os executantes – com elevada competência são um requisitoessencial para que os níveis gerenciais possam se dedicar à inovação de processos e produtos. O esforço inicial de um movimento disseminado de inovação deve se concentrar na estabilização dos processos, e nisso gerentes e supervisores têm responsabilidades diferentes e, claro, complementares.

Aos gerentes cabe primordialmente planejar e implantar processos capazes de atender às demandas estratégicas da organização. Uma vez que tenha conduzido um processo a este patamar de capacidade, deve delegar à supervisão a sua execução cotidiana, mantendo-se os requisitos de planejamento. Aos supervisores cabe, assim, fazer com que processo e resultados sejam executados sempre da mesma forma, a planejada e delegada, de forma a se manter previsibilidade dos resultados.

A previsibilidade dos resultados dos produtos, (bens ou serviços produzidos pela empresa), é mais importante do que o próprio nível da qualidade, pois é a partir da previsibilidade que se torna possível um trabalho focado e contínuo de melhoria e inovação, no qual a experimentação das hipóteses de transformação e criação de processos e produtos é fundamental.

Surge então a pergunta: como se dedicar de forma consistente e eficiente à experimentação organizada se não se consegue prever os resultados dos processos rotineiros. Na prática isso equivale a não sermos capazes de predizer o que, quanto e quando será produzido, ou seja, é o mesmo que não sermos capazes de assumir compromissos e cumpri-los. 

Gerentes envolvidos por um infindável “apaga incêndio” originado do dilema “prometer x entregar”, não conseguem serinovadores. O caos operacional consome mais que tempo e dinheiro: consome energia criativa, capacidade de mudar, engenhosidade e tudo o mais que for necessário para inovar. Mas com processos estáveis e previsíveis, controlados por supervisores de alto nível, qualquer que seja o tipo de organização, a energia potencial de inovação poderá ser utilizada sem dúvidas. Além disso, ainda que a função principal da supervisão seja o controle operacional dos processos, haverá nela e nas equipes de executantes, igualmente um enorme poder inovador que pode e deve ser empregado.   

*Antonio Carlos Gordilho é consultor e autor do livro O Supervisor - A dimensão supervisional da empresa – All Print Editora. O livro está baseado na própria experiência como consultor e em relatos de supervisores e gerentes. Trata-se de um documento importante para colaboradores de todas as áreas e cargos, para que tenham uma visão melhor da função e um olhar crítico para uma organização como um todo.