Artigo - A falta que Nei Paraíba faz ao Guarani
* Por Carlos Eduardo Moura
Nei Paraíba nunca foi craque. Nem bom jogador era. No máximo, um atacante de mediana qualidade. Na campanha do acesso do Guarani, na temporada passada, o atacante - que veio do Oeste, de Itápolis (SP) - entrou algumas vezes e fez apenas dois gols em 38 jogos. É pouco? Sim, é pouco.
Ao fim da temporada passada, a diretoria bugrina decidiu pela não-renovação do contrato com o atacante. Friamente, os dirigentes raciocinaram e fizeram o "certo": atacante que não marca gols não fica no time. Certo? Errado. Muito errado.
Nei Paraíba era muito mais do que um simples atacante. Irreverente, brincalhão e famoso pelo seu penteado, aos poucos ganhou a torcida, que passou a usar uma peruca para homenageá-lo. (Aliás, cabe o paralelo com o jogador de basquete Anderson Varejão, que joga na NBA, no Cleveland Cavaliers, ao lado do astro Lebron James.)
Mais do que ter ganhado a torcida, Nei Paraíba era figura frequente no Globo Esporte, programa diário da Rede Globo - atenção, muita atenção às palavras-chave: Rede Globo, IBOPE, altíssima visibilidade à marca Guarani. No GE, o Bugre era sempre retratado positivamente, até pela campanha que fez, subindo para a primeira divisão. O Guarani ganhou muito destaque na mídia graças a Nei Paraíba ("O Deus do Amor", como era chamado no programa), mas também pelo time, claro, que correspondeu em campo e é famoso nacionalmente.
O apresentador Tiago Leifert até criou o "Troféu Nei Paraíba", dedicado a escolher o jogador mais bonito do Brasil. Então, era Nei Paraíba pra cá, Guarani pra lá. Eu, fosse diretor do time, adoraria ter Nei Paraíba no meu plantel, mesmo que na reserva e entrando poucas vezes em campo.
Pois bem. A diretoria bugrina não pensava assim e optou por não renovar o contrato do cabeludo. Nei Paraíba foi disputar a segunda divisão no Irã (sim, Irã), no glorioso Sanat Naft. E o Guarani? Parou de aparecer no Globo Esporte - atenção, muita atenção às palavras-chave: Rede Globo, IBOPE, altíssima visibilidade à marca Guarani - e pode ter perdido, com isso, alguns reais a mais em seu cofre.
Não sei se o Guarani tem departamento de marketing. Se tem, me parece totalmente errado que tenha deixado sua principal arma ser dispensada. E dizer que Nei Paraíba era sua principal arma no marketing não é nenhum demérito para o clube, já que ele, sozinho, não conseguiria nada. Sempre precisou de um clube forte e respeitado por trás - basta lembrá-lo nos tempos de Oeste, quando já era conhecido, mas não tinha toda a fama alcançada no Brinco de Ouro da Princesa.
Assim, casa-se o interesse da mídia (Nei Paraíba) com um produto de qualidade e já conhecido (Guarani). Hoje, no entanto, o Guarani não tem mais qualquer penetração na grande mídia nacional. Neste primeiro semestre, disputando a Série A-2 do Campeonato Paulista, está relegado à mídia regional. Somente a partir de maio, quando disputará a Série A do Campeonato Brasileiro, poderá voltar a ganhar destaque.
Mas marketing no futebol para quê, não é mesmo? O Guarani deve estar com os cofres cheios e um elenco recheado de craques. Não deve precisar disso.
* Diretor da Happy Hour Comunicação.






